quinta-feira, 4 de julho de 2013

Secretaria de Direitos Humanos institui instrumentos de combate à homofobia

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República instituiu nesta quinta-feira, 04, dois
instrumentos para combater a homofobia no País: o Sistema Nacional de Promoção de Direitos e Enfrentamento à Violência Contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) e o Comitê Nacional de Políticas Públicas LGBT.
O Sistema LGBT tem entre suas finalidades propor as diretrizes a serem observadas na ação do Poder Público e na sua relação com os diversos segmentos da sociedade e o Comitê, promover políticas nessa área nas esferas federal, estadual, distrital e municipal.
As decisões estão em portarias publicadas no Diário Oficial da União e levam em conta, segundo o governo, a necessidade de se enfrentar a homo-lesbo-transfobia estrutural na sociedade brasileira, encontrada nos mais diversos espaços. Também consideram dados de 2012 que apontam haver no País 27,34 violações de direitos humanos de caráter homofóbico por dia.
Uma das portarias da Secretaria de Direito Humanos também instituiu, dentro do Sistema LGBT, o Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra LGBT, firmado entre União, Estados, Distrito Federal e municípios.


Fonte: Diária do Grande ABC

Gloria Pires conduz a cena de sexo, em filme com temática lés


A atriz Gloria Pires sinaliza pedindo um minuto, enquanto termina de falar ao celular. “Também acho que
estaria muito bem representado”, responde ela, enquanto agradece os elogios à sua atuação e encerra a ligação.
Do outro lado da linha, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, ligava para dizer que o filme “Flores Raras” tinha tudo para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar, em 2014.
Gloria concordou.
A ministra assistiu ao filme durante um festival de cinema brasileiro, em Lisboa. Baseado no livro “Flores Raras e Banalíssimas“, de Carmen Lucia de Oliveira, o longa estreia em 16 de agosto e promete surpreender o público acostumado a ver Gloria Pires na TV.
No papel de uma mulher de personalidade forte, ela seduz Elizabeth Bishop, interpretada pela atriz australiana Miranda Otto. A química parecia estar presente. Gloria conduz a cena de sexo, beijando e segurando com intensidade sua parceira.
“Gostei muito do resultado da cena”, conta a atriz, aos risos. “Quando você vive uma personagem, o seu querer precisa ser o dela. Precisa ver seu parceiro de cena com os olhos de amor, de paixão, de atração, necessários ao momento daquela história.”
A única dificuldade, diz ela, foi o frio. “Naquela noite fez seis graus [na região serrana do Rio]. Era esse o desconforto. Mas acho que não transpareceu, porque existia um frêmito na cena por conta dessa excitação delas, desse encontro.”
Elizabeth Bishop desembarcou no Rio, em 1951. Seu romance com Lota retrata um pouco do passado carioca. No período em que estavam juntas, a arquiteta conduziu a construção do parque do Flamengo, no local onde até então só havia um aterro.
Para construir a personagem, além de se basear no livro, Gloria pesquisou outros documentos da época. Chegou a sugerir a inclusão de uma cena em que Lota convence o então governador Carlos Lacerda a priorizar a construção do parque. “Pedi ao Bruno para incluir o diálogo para mostrar a intimidade entre os dois. Costumo brincar que eles faziam roupas no mesmo alfaiate”, diz.
Outro projeto recente da atriz é o filme sobre a trajetória da médica alagoana Nise da Silveira, consagrada por transformar o tratamento da esquizofrenia no Brasil. “Ela leu tudo sobre a personagem. Construiu um retrato muito fiel. Muitas vezes, contestava: ‘A Nise não diria isso’”, diz Roberto Berliner, o diretor do filme (com lançamento previsto para o ano que vem).
Gloria deu entrevista à Serafina em um restaurante perto de sua casa, no bairro do Itanhangá, zona oeste do Rio. Mora com o marido Orlando Morais e os filhos Antonia, Ana e Bento. Cleo
Pires, a mais velha, vive sozinha.
Discreta, manteve o mesmo tom de voz, suave, ao longo de toda a conversa. “Você é muito delicada para ser a Lota”, Gloria chegou a ouvir no encontro com uma ex-vizinha da arquiteta carioca.

“Ela podia ser uma mulher que falava alto, que usava roupas masculinas. Mas, ao mesmo tempo, sempre foi muito amorosa com todos ao seu redor”, diz a atriz.

Fonte: EXTRA

"Gays e heterossexuais incuráveis", por Drauzio Varella

"Está coberta de razão a sabedoria popular ao dizer que a homossexualidade é mais velha do que andar a
pé"
Apesar dos anos vividos, ainda me surpreendo com a estupidez humana.
Os crentes dizem que Deus houve por bem limitar-nos a inteligência, para impedir que bisbilhotássemos seus domínios. Se assim agiu, pena não lhe ter ocorrido impor limites para a burrice dos seres que criou à sua imagem e semelhança.
Um grupo de deputados reunidos na Comissão de Direitos Humanos, presidida por um evangélico sem nenhuma aparência de homem fervoroso, aprovou o projeto conhecido como "cura gay", que assegura aos psicólogos o direito de aplicar métodos de tratamento destinados a transformar homo em heterossexuais, e de apregoar aos incautos a cura da homossexualidade, práticas condenadas pelo Conselho Federal de Psicologia e por todas as pessoas com um mínimo de discernimento.

Em todos os povos conhecidos, uma parcela de indivíduos em alguma fase da vida experimentou orgasmo por meio da estimulação dos genitais realizada por uma pessoa do mesmo sexo.
A incidência da homossexualidade varia de acordo com o grupo social. Um estudo clássico dos anos 1950 mostrou que em cerca de 60% das populações pesquisadas o comportamento homossexual é aceito sem restrições. Na África, entre os povos Siwan, e no sudoeste do Pacífico, entre os melanésios, virtualmente todos os homens praticaram sexo com outros homens em algum estágio da vida.
As 40% restantes vivem em países nos quais a homossexualidade é objeto de tabu social. As nações industrializadas se enquadram nesse grupo minoritário.
Embora os dados nem sempre confirmem com exatidão, a homossexualidade masculina parece ser duas a três vezes mais prevalente do que a feminina, em todas as sociedades até hoje avaliadas.
A maioria esmagadora dos indivíduos que experimentam orgasmos com pessoas do mesmo sexo são bissexuais. No Ocidente, homossexualidade pura, caracterizada pela ausência de práticas sexuais com o sexo oposto durante a vida inteira, ocorre em apenas 1% da população.

Comportamento homossexual tem sido descrito em répteis, pássaros e mamíferos, animais que na evolução divergiram há mais de 100 milhões de anos. Uma parte dos machos e fêmeas de todas as espécies de aves estudadas têm relações sexuais com indivíduos do mesmo sexo. Em muitas ocasiões, essas práticas terminam em orgasmo de apenas um ou dois dos parceiros.
Nos mamíferos, a maioria das relações homossexuais entre as fêmeas acontece quando uma parceira monta sobre a outra, comportamento já documentado em pelo menos 70 espécies: ratos, hamsters, coelhos, martas, gado, carneiros, cavalos, antílopes, porcos, macacos, chimpanzés, bonobos, leões etc.

Há mais de um século e meio, Charles Darwin nos ensinou que uma caraterística presente em diversas espécies distintas indica que foi herdada de um ancestral comum, portador do mesmo traço. Podemos garantir que o ancestral que deu origem aos vertebrados tinha dois globos oculares, caraterística herdada por todos os animais com esqueleto.
O paralelismo é óbvio, prezadíssimo leitor: se o comportamento homossexual está documentado em animais tão distintos quanto répteis, aves e mamíferos, é porque a homossexualidade é mais antiga do que a humanidade.
Certamente, já existiam hominídeos homo e bissexuais 5 a 7 milhões de anos atrás, quando nossos ancestrais resolveram descer das árvores nas savanas da África. Está coberta de razão a sabedoria popular ao dizer que a homossexualidade é mais velha do que andar a pé.
Sempre houve e haverá mulheres e homens que desejam pessoas do mesmo sexo, porque essa é uma característica inerente à condição humana. Com persistência e determinação, eles podem controlar o comportamento sexual, mas o desejo não. O desejo é uma força da natureza mais íntima de cada um de nós; é água que corre montanha abaixo.
Os fatores genéticos e as interações sociais envolvidas no comportamento sexual são de tal complexidade que só a ignorância crassa é capaz de propor simplificações.

Eu, que sempre coloquei em dúvida a masculinidade daqueles excessivamente preocupados ou ofendidos com a homossexualidade alheia, gostaria de saber em que porta de botequim os nobres deputados ouviram falar que o homossexual é um doente à espera de tratamento psicológico.


Fonte:  Folha

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Filha da atriz Solange Couto assume ser gay

Sem ter nada a esconder, Morena Mariah, filha de Solange Couto, exibe no Facebook o status "casada com Luiza Camilo". Procuradas pela coluna, mãe e filha abriram seus corações e falaram do assunto pela primeira vez. "Quando contei para a minha mãe foi um susto. Chegamos a ficar um pouco magoada uma com a outra, porque ela achou que eu estava escondendo algo, mas não. Na verdade, eu não conseguia assumir nem para mim mesma", lembra Morena, de 22 anos, que pouco tempo antes namorava um rapaz.


Morena conheceu Luiza na faculdade, em 2010, e elas estão juntas há quase três anos. Hoje, as duas moram em Goiás. Questionada se desconfiava ser gay, Morena assume: "De alguma maneira eu sabia, mas enquanto não apareceu a Luiza, algo de ‘concreto’, achava esquisito". Ela conta que se entregou logo à paixão. "Na primeira semana, já queria me casar", diz Morena, que estuda artes cênicas, está se iniciando na carreira de atriz e reforça a tradição da Retratos de revelar as filhas de famosas.

Solange Couto reconhece que levou um susto com a revelação de Morena. "Num primeiro momento foi complicado. Até porque no domingo ela namorava um rapaz, na segunda-feira ela conheceu a Luiza na faculdade e na quarta-feira ela me disse que estava apaixonada por uma pessoa especial. Apaixonada por uma menina. Eu travei, claro. Para qualquer pessoa é esquisito de imediato. Eu parei, olhei. E disse: ‘Tá. Agora, me deixa digerir’. Óbvio que eu saí do chão", confessa a atriz, de 57 anos.

Mas Solange se refez rapidamente: “Quinze dias depois eu já estava arrumando as malas dela e colocando no meu carro para levá-la para morar em Ipanema. Comprei roupa de cama, pratos, panelas e paguei o depósito do apartamento”. Casada com Jamerson Andrade, de 26 anos, com quem tem Benjamim, de 1 ano e 11 meses, a atriz diz que nunca desconfiou da opção sexual da filha.


“Não tenho o menor problema com isso. Ela sempre foi e será a minha filha e a Luiza é muito bem recebida na minha casa. Meus melhores amigos são gays desde sempre. E não tem essa história de que só é legal no quintal dos outros. Não teve esse papo de que não quero mais que seja a minha filha. Eu sou casada com um homem 30 anos mais jovem do que eu, fui mãe aos 54 anos e não tenho por que ter esses falsos moralismos”, conclui.


Fonte: Extra

Facebook participa da Parada do Orgulho Gay de São Francisco

O Facebook se mostra cada vez mais inclusivo aos direitos arco-íris. Pelo terceiro ano consecutivo a
empresa participou da Parada do Orgulho Gay de São Francisco, nos Estados Unidos, que realizou sua 43ª edição no último final de semana.
Melhor: o próprio Mark Zuckerberg, um dos fundadores da empresa, esteve no bonde (o trio elétrico deles) alugado pela companhia para o evento. Ao todo, 700 funcionários do Facebook acompanhavam a marcha próximos ao bonde.
A líder do Partido Democrata no Congresso norte-americano, Nancy Pelosi, e o roteirista premiado com o Oscar por “Milk”, Dustin Lance Black, também participaram da celebração. Apoio aos direitos LGBT é tão simples. Por que será que no Brasil as empresas têm tanto medo de se mostrarem inclusivas?


Fonte:  Parou Tudo

Deputado autor do projeto da "cura gay" pede arquivamento da proposta na Câmara

O deputado João Campos (PSDB-GO), autor do projeto que libera a “cura gay”, protocolou nesta terça-
feira (2) requerimento na Mesa Diretora da Câmara para que o texto seja retirado de tramitação, o que significaria seu arquivamento. No entanto, de acordo com a secretaria-geral da Casa, a retirada de pauta depende de aprovação do plenário porque o projeto já foi aprovado por uma comissão, no caso a Comissão de Direitos Humanos. A análise do requerimento deve ocorrer na sessão desta terça.
A proposta, que autoriza psicólogos a tratar pacientes que busquem reverter a homossexualidade, estava prevista para ser votada nesta semana. Com o objetivo de derrubar o projeto, o PSOL apresentou requerimento de urgência para que ele fosse analisado em plenário sem ter de passar por comissões.
“Eu apresentei o requerimento de urgência com 311 assinaturas de deputados. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, pautou o requerimento e o mérito para hoje [terça], mas o autor da proposta pediu a retirada de pauta para evitar que o texto fosse derrubado”, afirmou o presidente do partido, deputado Ivan Valente (SP).
A estratégia da Câmara era pautar a proposta para derrubá-la em votação no plenário. O objetivo seria atender uma das reivindicações das manifestações que ocorrem pelo país. João Campos afirmou ao G1 que pediu o arquivamento do texto que libera a “cura gay” para que ele não fosse usado para “desviar o foco” dos protestos.
“Estão usando esse projeto para desviar o foco. O que os manifestantes querem é saúde, educação, o fim da corrupção. Estão querendo derrubar a proposta para desviar do assunto. Eu não vou deixar isso acontecer”, disse o autor do texto.
Após reunião de líderes, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou considerar o projeto “preconceituoso” e disse que a Casa encontrará uma maneira de “derrubá-lo”.

“Hoje vários líderes pediram a urgência. Hoje pautei a votação da urgência e a votação do mérito para amanhã. Mas o deputado João Campos, autor do projeto, disse que, diante dessa decisão, ele tomaria a iniciativa de retirar o projeto. Se ele não puder fazê-lo pelo regimento, esta Casa vai procurar uma maneira de derrubar esse projeto, que é um projeto preconceituoso e que esta Casa não gostaria de ver aprovado.”

Fonte: G1

Criador de jogo com tema gay fala sobre preconceito da indústria

Em entrevista ao site Polygon, Luke Miller, criador do “jogo mais gay já feito” (segundo ele mesmo) Ex-Boyfriend the Space Tyrant, disse que o objetivo do game sempre foi expandir os tipos de história na indústria.
“Se não existisse jogos para heterossexuais, eu até entenderia a hostilidade, mas por favor...”, contou o desenvolvedor sobre as críticas enquanto o jogo estava para votação no Steam Greenlight – canal de viabilização de games independentes na loja online da Valve. “Space Tyrant e diverso e inclusivo, mas nunca pensei em fazer um jogo simpático aos heterossexuais. Não é sobre exclusão, é sobre expandir os tipos de histórias contadas nos jogos, que só pode levar a títulos mais interessantes para todos nós.”
Com alto nível de humor, muitos homens sem camiseta e temática de ficção científica, o jogo de desafio em point & click conta a história do capitão Tycho Minogue, que viaja pelo universo para acabar com governante do mal, personificado como ex-namorado. Segundo Miller, uma das grandes diferenças do jogo são as piadas inteligentes, que brinca com insinuações sexuais.
De acordo com o criador australiano, a ideia de Ex-Boyfriend the Space Tyrant surgiu porque não existem personagens homossexuais nas ficções científicas que ele gostava quando pequeno. Sobre a pouca seleção de títulos sobre o tema, ele acredita que o mercado – que quer sempre abrir seu leque de clientes – é dosador da indústria e não a homofobia.
My Ex-Boyfriend the Space Tyrant custa US$ 22 no site oficial do jogo (www.um.com.au/spaceout) e está disponível para PC, Mac e Linux. Uma sequência do game já está sendo pensada e, segundo Miller, “será ainda mais gay”.


Fonte: Terra

Apresentadora faz ensaio lésbico contra homofobia: "as pessoas são hipócritas"

Graciella Carvalho, apresentadora do Multishow, realizou um ensaio fotográfico quente com a modelo
Marianne Ranieri, com o intuito de combater a homofobia.
"Resolvi fazer esse ensaio contra o preconceito, pois acho as pessoas muito hipócritas e preconceituosas. Adoram julgar os outros sem ao menos saber sobre o que estão falando ou sem ao menos ter experimentado. Adoro homens, mas já me relacionei com mulheres e o preconceito é grande", comentou Graciella.
Nas fotos, Marianne e a apresentadora se beijam e trocam carícias vestindo apenas lingerie, além de também aparecerem nuas.



Fonte: Terra

Casal gay ganha green card após decisão da Suprema Corte dos EUA

Um estudante búlgaro de pós-graduação e seu marido americano são o primeiro casal gay dos EUA a ter
seu pedido de green card aprovado após uma decisão da Suprema Corte favorável ao casamento entre homossexuais, segundo seus advogados.
Mas Traian Popov, que vive nos EUA com um visto de estudante, não vai poder ir visitar sua família na Bulgária por pelo menos seis meses, enquanto seu documento de permanência é feito.
E seu casamento com Julian Marsh, que ocorreu em Nova York, não vai ser reconhecido na Flórida, onde eles vivem.
"É inacreditável o impacto que isso tem", disse Marsh. "Eles te fazem sentir cada vez mais como um cidadão de segunda classe e que eles não te querem. É assim que eu me sinto em relação à Flórida."
"Estamos nos livros de história. Isto é totalmente incrível", disse Marsh.
Dois dias antes de o casal receber a notícia, o Supremo havia se manifestado sobre o casamento homossexual com duas decisões judiciais históricas, nas quais outorgava o reconhecimento aos casais homossexuais que já estavam casados.
Desta maneira, o Supremo invalidou a lei conhecida como Doma, de 1996, que definia o casamento como "a união entre um homem e uma mulher".
O Departamento de Segurança Interna não confirmou se o caso é o primeiro no país.
O advogado do casal, Lavi Soloway, do projeto Doma, disse que sua organização havia feito 100 petições em nome de casais do mesmo sexo desde 2010, e espera que mais delas sejam aprovadas nos próximos dias.


Fonte: G1

Plenário da Câmara pode votar 'cura gay' nesta semana, diz Henrique Alves

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou ao G1 nesta
segunda que poderá colocar em votação no plenário da Casa, ainda nesta semana, a polêmica proposta conhecida como "cura gay", que autoriza psicólogos a tratar pacientes que busquem reverter a homossexualidade.
Para isso, disse ele, é preciso que os líderes, que se reúnem no final da manhã nesta terça (2), concordem em dar regime de urgência para o projeto, que acelera seu andamento na Casa.
"Depende dos líderes apresentarem pedido regimental de urgência. Acho que será apresentado. Sendo [apresentado], vou pautar, sim, e que o plenário vote. Farei o meu dever", disse o peemedebista.
O pedido foi articulado pelo líder do PSOL, Ivan Valente (SP), e o objetivo, segundo o deputado, é levar a proposta diretamente à votação em plenário para que ela seja derrubada, sem precisar passar antes pela análise de outras comissões.
A proposta já foi aprovada na Comissão de Direitos Humanos e, pelo trâmite normal, seguiria para as comissões de Seguridade Social e Família e Constituição e Justiça. Segundo Valente, os líderes de PT, PSDB, DEM, PDT, PSB e PC do B já assinaram o requerimento e líderes do PPS, PSD e PV também manifestaram o interesse de subscrever o documento, que será submetido ao colégio de líderes no final desta manhã.
Para que o projeto possa ser analisado antecipadamente, a proposta de urgência terá de ser aprovada pelo plenário da Câmara. Somente então o mérito da proposta poderá ser votado pelos deputados federais. 
Derrota
A intenção de Ivan Valente é aproveitar a pressão dos protestos de rua para engavetar o projeto. “Vamos derrotar politicamente esse projeto. Ao invés de deixar essa questão cozinhando, é preciso rejeitá-la. Isso [rejeição da proposta] vai ser uma derrota daqueles que trabalham contra os direitos humanos e hoje comandam a comissão voltada à defesa das minorias na Câmara”.
Criticada por movimentos LGBT e pela própria entidade de classe dos psicólogos, a proposta foi aprovada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara no dia 18 de junho. A sessão que deu aval ao projeto foi presidida pelo deputado Marco Feliciano (PSC-SP), acusado de homofobia e racismo por declarações polêmicas no passado.
Defensor da proposta, Feliciano reconheceu na última quinta (27) que será difícil aprovar a proposta no parlamento. “Esse projeto já nasceu morto. Na comissão [de Direitos Humanos] ele foi aprovado, mas eu sei que jamais irá passar no Congresso”, disse, durante um culto evangélico no interior de São Paulo.

Valente aposta na rejeição do projeto em plenário. “Vamos ver a reação dos fundamentalistas. Acho que essa proposta [cura gay] será derrotada no plenário facilmente. É uma proposta intolerante, que viola a Constituição e interfere na vida de conselhos profissionais”, criticou.
Proposta
De autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), o projeto de decreto legislativo pede a extinção de dois trechos de uma resolução de 1999 do Conselho Federal de Psicologia. O primeiro diz que “os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades”.
O segundo dispositivo que o projeto pretende eliminar diz que “os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica”.
Ao justificar o projeto, o autor do texto afirmou que o conselho de psicologia, ao restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional, “extrapolou o seu poder regulamentar e usurpou a competência do Legislativo”.


Fonte: G1